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A arquitetura contemporânea vive um ponto de virada. Depois de décadas olhando majoritariamente para estética e função, o setor avança para uma visão mais ampla e madura, na qual o planeta, o bem-estar humano e o desempenho cognitivo tornam-se protagonistas do processo de criação.

Nesse movimento, dois campos crescem de forma acelerada e se complementam de maneira profunda:
a Arquitetura Sustentável e a “Neuroarquitetura”.

Se a primeira busca reduzir impactos ambientais e criar espaços resilientes, a segunda investiga como esses espaços afetam o cérebro, as emoções e o comportamento.
Juntas, elas constroem ambientes mais humanos, saudáveis e responsáveis

Projeto Galpão Tropical – Troost Arquitetos – Manaus – Brasil

Arquitetura Sustentável: o futuro que não pode esperar

A Arquitetura Sustentável nasce da urgência climática, mas também de uma ética renovada: projetar sem causar danos às futuras gerações.

Seus pilares incluem:

  • Uso consciente de recursos naturais
  • Eficiência energética
  • Materiais de baixo impacto ambiental
  • Durabilidade e manutenibilidade
  • Gestão de resíduos
  • Valorização da luz natural e ventilação cruzada
  • Soluções baseadas na natureza

Mas há um ponto muitas vezes negligenciado: sustentabilidade também é saúde!

Ambientes sustentáveis reduzem CO₂, melhoram a qualidade do ar, estabilizam temperatura e ampliam o conforto; fatores que afetam diretamente mente, humor, foco e produtividade.

Nesse sentido, a sustentabilidade cria as condições ideais para o trabalho da neurociência.

O Botânica Office, projeto do TROOST + PESSOA Architects, foi premiado por sua abordagem inovadora que combina arquitetura e sustentabilidade.

Neuroarquitetura: a ciência que aproxima a arquitetura das emoções humanas

A neuroarquitetura investiga como o ambiente físico impacta:

  • o sistema nervoso,
  • as emoções,
  • os níveis de estresse,
  • a criatividade,
  • o foco,
  • a sensação de pertencimento
  • e até as tomadas de decisão.

Ela explora como luz, cores, materiais, acústica, vegetação, vistas, layouts e fluxos podem aumentar ou reduzir bem-estar e desempenho cognitivo.

E aqui surge um ponto crucial: não existe bem-estar humano em um ambiente ecologicamente degradado.

Onde elas se encontram: o ponto de fusão entre sustentabilidade e neurociência

1 – A matéria importa (e afeta o cérebro)

Materiais naturais, renováveis e com baixa toxicidade não só reduzem impacto ambiental, como evitam VOCs, alergias e irritações respiratórias. Resultado?
Menos estresse fisiológico e mais conforto neurológico.

Madeira, fibras naturais e texturas orgânicas ativam a resposta de segurança do cérebro, criando ambientes mais acolhedores.

2 – Biofilia como ponte entre saúde e planeta

A presença de natureza plantas, luz, água, paisagismo, vistas naturais; reduz cortisol, melhora humor, potencializa criatividade e até acelera a recuperação em ambientes de saúde.

A biofilia é simultaneamente:

  • um instrumento sustentável
  • e uma ferramenta neurocientífica poderosa

Centro Maggie de Leeds – Heatherwick Studio | Fonte: Archdaily

3 – Climatização inteligente e conforto térmico

Sistemas eficientes diminuem gasto energético e criam ambientes mais estáveis.
O cérebro humano é altamente sensível a desconforto térmico — calor excessivo reduz foco, produtividade e memória de trabalho.

Logo, conforto térmico é saúde ambiental + saúde cognitiva.

4 – Iluminação natural: a interseção perfeita

A luz natural regula:

  • ritmo circadiano
  • produção hormonal
  • disposição
  • sono
  • humor
  • metabolismo

Ao mesmo tempo:

  • reduz consumo de energia
  • valoriza o projeto
  • diminui impacto ambiental

5 – Layouts que estimulam bem-estar e evitam desperdícios

Projetos mais inteligentes aproveitam melhor o espaço, diminuem áreas subutilizadas e reduzem custos de operação, tudo isso enquanto promovem:

  • autonomia
  • movimento
  • interação
  • privacidade
  • sensação de pertencimento

projeto autoral : layout empresa de Tecnologia

O impacto social: espaços que transformam vidas

Quando a arquitetura combina:

✓ sustentabilidade
✓ bem-estar
✓ desempenho cognitivo
✓ eficiência
✓ saúde mental e física

Ela deixa de ser apenas construção e se torna intervenção social.

Ambientes saudáveis:

  • reduzem afastamentos por saúde
  • melhoram produtividade
  • diminuem estresse
  • ampliam inclusão
  • melhoram relações humanas
  • aumentam satisfação e pertencimento

Ou seja: cuidar do espaço é cuidar das pessoas.

Arquitetura Sustentável e Neuroarquitetura não são modismos, tampouco tendências isoladas.
Elas apontam para um novo paradigma:

Projetar ambientes que respeitam o planeta e promovem saúde integral: física, emocional e cognitiva.

O futuro da arquitetura é regenerativo, sensorial, responsável e profundamente humano.

E a união dessas duas abordagens não apenas transforma espaços, mas transforma vidas.

By Amanda Siqueira Marmo

Arquiteta e Urbanista formada pela FMU, com 17 anos de experiência em projeto de arquitetura, especialista em neurociência aplicada à arquitetura pela Neuroarq Academy, Embaixadora e Consultora da Academia Brasileira de Neurociência Aplicada à Arquitetura (neuroarq), sócia da Com.Tato Arquitetura e MGE Engenharia Inteligente, atualmente faz especialização em Arquitetura Sustentável pela Ugreen Academy