fbpx

Durante muito tempo, saúde mental no ambiente corporativo foi tratada como uma questão exclusivamente comportamental. No entanto, evidências científicas demonstram que o ambiente físico exerce influência direta sobre a regulação do estresse.

O cortisol, principal hormônio associado à resposta ao estresse, é regulado pelo eixo hipotálamo–hipófise–adrenal (HPA). A exposição prolongada a ambientes estressores como ruído excessivo, iluminação inadequada, ausência de conexão com elementos naturais e falta de controle ambiental pode manter o organismo em estado de ativação crônica.

Além dos impactos cognitivos e emocionais, essa condição está associada à redução de desempenho, aumento de fadiga mental e maior risco de adoecimento ocupacional.

Essa discussão ganha ainda mais relevância quando relacionada às exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que estabelece diretrizes para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo a identificação e mitigação de riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Luz natural e regulação do ritmo circadiano

A exposição à luz natural influencia diretamente o núcleo supraquiasmático do hipotálamo, responsável pela regulação do ritmo circadiano.

Estudos demonstram que trabalhadores expostos a maior quantidade de luz natural apresentam:

  • Melhor qualidade de sono
  • Redução de sintomas depressivos
  • Maior desempenho cognitivo

Ambientes com iluminação natural adequada contribuem para melhor sincronização biológica e redução da ativação prolongada do eixo do estresse.

Biofilia e redução da resposta ao estresse

A Teoria da Recuperação do Estresse, proposta por Roger Ulrich, indica que a exposição a elementos naturais reduz a ativação do sistema nervoso simpático.

Pesquisas demonstram redução de:

  • Frequência cardíaca
  • Pressão arterial
  • Níveis de cortisol

Em ambientes com presença de vegetação e vistas naturais.

A incorporação de estratégias biofílicas no ambiente corporativo está associada à melhoria do bem-estar psicológico e aumento da satisfação no trabalho.

The Léas Exhibition Hall – Karv One Design | Fonte: Amazing Architecture.com

Acústica e carga cognitiva

Ruído crônico é reconhecido como fator de risco ocupacional. Ambientes com alta reverberação e ruído intermitente aumentam a carga cognitiva e elevam a resposta fisiológica ao estresse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece o ruído ambiental como um dos principais riscos ambientais à saúde.

Projetos que incorporam tratamento acústico adequado contribuem para redução da sobrecarga mental e melhoria da performance.

Sensação de controle e estresse psicológico

A literatura em psicologia ambiental demonstra que a percepção de controle reduz a ativação do eixo HPA.

Ambientes que oferecem autonomia espacial como: controle de iluminação, escolha de local de trabalho, espaços de refúgio reduzem marcadores fisiológicos de estresse e aumentam engajamento.

Esse fator é especialmente relevante quando analisado sob a ótica de riscos psicossociais no contexto organizacional.

www.enredo.com.br

A relação com a NR-1

A Norma Regulamentadora nº 1 determina que as empresas implementem o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo a identificação de fatores que possam impactar a saúde física e mental dos trabalhadores.

Embora tradicionalmente associada a riscos físicos e mecânicos, a NR-1 também abrange riscos ergonômicos e psicossociais.

Nesse contexto, o ambiente físico passa a integrar a análise preventiva.

A arquitetura, quando fundamentada em evidências científicas, torna-se ferramenta estratégica de mitigação de risco organizacional.

By Amanda Siqueira Marmo

Arquiteta e Urbanista formada pela FMU, com 17 anos de experiência em projeto de arquitetura, especialista em neurociência aplicada à arquitetura pela Neuroarq Academy, Embaixadora e Consultora da Academia Brasileira de Neurociência Aplicada à Arquitetura (neuroarq), sócia da Com.Tato Arquitetura e MGE Engenharia Inteligente, atualmente faz especialização em Arquitetura Sustentável pela Ugreen Academy

Deixe um comentário