A ligação fixa de Øresund mostra que uma grande travessia não precisa ser resolvida por uma única estrutura. Entre a Dinamarca e a Suécia, a conexão combina ponte, ilha artificial e túnel em um sistema contínuo de 15,9 quilômetros. A solução integra rodovia e ferrovia, mas cada trecho responde a condicionantes diferentes do estreito.

Por que combinar três soluções

Do lado sueco, a ponte vence o trecho marítimo e oferece uma passagem elevada. Próximo à Dinamarca, a travessia precisa conviver com rotas de navegação e com a proximidade do aeroporto de Copenhague. Um túnel reduz conflitos com esses usos e mantém a navegação na região de Drogden.

Entre os dois sistemas está Peberholm, ilha artificial criada para permitir a transição entre a ponte e o túnel. Assim, a geometria da ligação muda gradualmente: o tabuleiro chega à ilha, as vias descem e entram no trecho submerso em direção ao território dinamarquês.

A ponte e seus trechos

Segundo o consórcio responsável pela Øresundsbron, o conjunto tem aproximadamente oito quilômetros de ponte. A estrutura inclui viadutos de aproximação e um trecho estaiado mais alto. O segmento elevado oferece o vão necessário para a navegação no canal Flintrännan, enquanto as aproximações conduzem rodovia e ferrovia entre a costa sueca e Peberholm.

A ponte é um sistema de transporte duplo. Os veículos circulam no nível superior, e a ferrovia ocupa o nível inferior. Essa configuração exige coordenação entre comportamento estrutural, cargas dinâmicas, manutenção e operação dos dois modos.

Peberholm como peça de transição

Peberholm tem pouco mais de quatro quilômetros. Sua função de engenharia é conectar soluções com cotas e comportamentos distintos, além de acomodar a transição de sistemas técnicos ferroviários dinamarqueses e suecos.

A ilha também ganhou valor ambiental. A gestão do local permitiu que a vegetação e a fauna se desenvolvessem com interferência controlada. Esse aspecto não elimina os impactos de uma obra marítima, mas ilustra como a operação posterior pode incorporar monitoramento e regras específicas para uma área criada pelo empreendimento.

O túnel de Drogden

O trecho final é um túnel de aproximadamente quatro quilômetros. Ele foi executado como túnel imerso: elementos produzidos em ambiente controlado são transportados, posicionados em uma trincheira preparada no leito marinho e conectados. Depois, o conjunto recebe proteção e cobertura.

Essa técnica exige controle rigoroso de fabricação, flutuação, transporte, alinhamento, vedação e união dos elementos. A interface entre túnel e ilha também precisa acomodar drenagem, ventilação, segurança e os requisitos de operação ferroviária e rodoviária.

Planejamento por interfaces

A grande lição de Øresund está menos em um recorde isolado e mais na integração. Ponte, ilha e túnel foram planejados como partes de uma única ligação. Isso exige coordenar geometria, fundações, materiais, sistemas ferroviários, tráfego, segurança e manutenção.

As interfaces concentram riscos. A transição entre estruturas, por exemplo, precisa compatibilizar deformações, níveis, impermeabilização e equipamentos. Em projetos complexos, mapear quem responde por cada interface é tão importante quanto detalhar cada componente.

Uma conexão regional

Aberta ao tráfego em 2000, a ligação aproximou Copenhague e Malmö e passou a sustentar deslocamentos de passageiros e cargas. O desempenho do empreendimento depende da inspeção contínua das estruturas e dos sistemas, porque ambiente marinho, vento, tráfego e operação ferroviária impõem solicitações permanentes.

Øresund é, portanto, um estudo de escolha de soluções. A ponte funciona onde altura e navegação permitem; o túnel atende condicionantes do lado dinamarquês; e Peberholm torna a transição possível. O resultado é uma infraestrutura única construída a partir de partes diferentes e coordenadas.

Fontes oficiais

Os dados de extensão e composição foram confirmados nas páginas oficiais Facts about Øresundsbron, Peberholm e The Railway. Fontes verificadas em 18/10/2026.

Acompanhe o Conexão Exata pelo WhatsApp

Receba novas vagas, conteúdos de engenharia e novidades sobre os cursos do Grupo HCT diretamente no celular.

Siga o canal do Grupo HCT no WhatsApp

Ative as notificações do canal para não perder as próximas atualizações.

By Renata Dias

Renata Dias Sangali é Gerente Comercial do Grupo HCT, com atuação na área de educação e desenvolvimento profissional. Acompanha de perto as necessidades de profissionais e empresas, contribuindo para iniciativas voltadas à qualificação e ao aperfeiçoamento profissional.

Deixe um comentário