Capa do post sobre a escavação e conexão do Túnel do Canal da Mancha

O Túnel do Canal da Mancha liga Folkestone, no Reino Unido, a Coquelles, na França. A travessia ferroviária tem cerca de 50 km, dos quais aproximadamente 38 km passam sob o mar. É formada por três túneis paralelos: dois ferroviários e um túnel de serviço no centro.

Essa configuração reúne escavação, geologia, logística e segurança em uma única infraestrutura. O projeto também mostra como levantamentos precisos ajudam equipes trabalhando a partir de margens opostas a se encontrar sob o leito marinho.

Por que existem três túneis?

  • Dois túneis ferroviários: cada um tem uma via, permitindo organizar os fluxos de trens em sentidos opostos.
  • Túnel de serviço: fica entre os ferroviários e atende manutenção, acesso de equipes e evacuação em emergências.
  • Passagens transversais: conectam os túneis ferroviários ao túnel de serviço. Assim, a segurança e a manutenção fazem parte do desenho da obra, desde o início.

Segundo a operadora Getlink, as passagens transversais estão espaçadas ao longo do sistema; o túnel de serviço também funciona como acesso para equipes e apoio à ventilação. Veja a descrição técnica da infraestrutura pela Getlink.

Geologia: escolher a camada certa

Antes da escavação, estudos geológicos e geotécnicos detalhados foram essenciais para definir o traçado. O túnel foi planejado principalmente em camadas de giz margoso, cuja composição e menor permeabilidade eram favoráveis à escavação em comparação com formações próximas.

O serviço geológico francês BRGM relata que seus estudos ajudaram a mapear as camadas e orientar o percurso. A equipe combinou levantamentos geofísicos, sondagens e análise geológica para reduzir a incerteza sobre as condições encontradas pelas tuneladoras. Conheça o trabalho do BRGM no projeto.

Escavação a partir das duas margens

As equipes britânicas e francesas escavaram em direção uma à outra com máquinas tuneladoras. O túnel de serviço começou a ser escavado antes dos ferroviários; além de fazer parte da infraestrutura final, ele permitiu reconhecer melhor o terreno e apoiar as etapas seguintes.

A operação exigia coordenar avanço da máquina, retirada do material escavado e instalação do revestimento. Segmentos de concreto ou de ferro fundido, conforme o trecho e as condições, formavam o revestimento atrás da tuneladora. A logística de materiais, energia, ventilação e comunicação precisava acompanhar cada frente de trabalho.

Como as frentes se encontraram

O encontro não dependia de “mirar” visualmente a outra equipe. Levantamentos topográficos e instrumentos de orientação permitiam controlar posição e direção sob o mar. A primeira conexão entre as equipes ocorreu no túnel de serviço, em 1º de dezembro de 1990, segundo a cronologia da Getlink.

Depois desse marco, as equipes concluíram as conexões dos dois túneis ferroviários em 1991. A construção seguiu para instalação de trilhos, energia, sinalização, drenagem e demais sistemas. A inauguração oficial aconteceu em 6 de maio de 1994; os serviços comerciais começaram em etapas naquele ano. Consulte a cronologia oficial da Getlink.

Segurança e operação

O túnel de serviço oferece um caminho protegido para acesso de equipes e evacuação. As ligações transversais, ventilação, comunicação, detecção de incêndio, energia e controle ferroviário compõem um sistema integrado: a segurança depende da interação entre a estrutura e os equipamentos.

A Institution of Civil Engineers (ICE) destaca que as tuneladoras iniciaram pelo túnel de serviço para ajudar os engenheiros a observar as condições reais do solo. A entidade também registra diferenças geológicas entre os lados britânico e francês, que influenciaram o avanço das máquinas.

O que a obra ensina

O Túnel do Canal da Mancha mostra que uma obra subterrânea extensa depende de decisões tomadas em conjunto. Geologia, alinhamento, revestimento, remoção de material, segurança e manutenção precisam estar coordenados durante o projeto e a construção.

Também evidencia que a entrega não termina quando a escavação se conecta. Trilhos, sistemas elétricos e de controle, ventilação, drenagem, testes e comissionamento precisam funcionar como uma única infraestrutura ferroviária.

Fontes

Conteúdo informativo baseado nas fontes indicadas. As especificações aqui resumidas não substituem documentos técnicos do empreendimento.

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By Renata Dias

Renata Dias Sangali é Gerente Comercial do Grupo HCT, com atuação na área de educação e desenvolvimento profissional. Acompanha de perto as necessidades de profissionais e empresas, contribuindo para iniciativas voltadas à qualificação e ao aperfeiçoamento profissional.

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