Engenharia do túnel Marmaray sob o Bósforo conectando Europa e Ásia

O túnel imerso Marmaray atravessa o estreito de Bósforo e integra uma ligação ferroviária entre os lados europeu e asiático de Istambul. A obra é um estudo de caso importante porque reuniu logística marítima, escavações profundas, conexão com túneis terrestres e exigências sísmicas em um ambiente urbano e histórico.

Por que usar um túnel imerso?

Nesse método, elementos do túnel são pré-fabricados em local controlado, transportados por água, posicionados em uma vala preparada no fundo e unidos sequencialmente. A solução pode reduzir a extensão de escavação subterrânea sob um canal, mas exige precisão elevada em dragagem, fundação, flutuação, afundamento e vedação.

Onze elementos sob o Bósforo

O trecho imerso do Marmaray tem cerca de 1.387 metros e foi montado com 11 elementos. As unidades foram fabricadas a aproximadamente 40 quilômetros do local, rebocadas e instaladas em sequência. A profundidade chega a cerca de 60 metros, condição que colocou o projeto entre os túneis imersos mais profundos já executados.

Preparação do leito

Antes do posicionamento dos elementos, o fundo precisava receber uma geometria controlada. A vala dragada foi preparada com uma camada granular de apoio. Depois do assentamento, injeções sob a base ajudaram a preencher vazios e distribuir contato. O controle do perfil era essencial: pequenas diferenças poderiam comprometer alinhamento e juntas.

Afundamento e conexão

Cada elemento fechado flutuava durante o transporte. No ponto previsto, cabos, lastro e sistemas de posicionamento permitiam baixá-lo gradualmente. A aproximação do elemento anterior era monitorada para que as juntas trabalhassem conforme o projeto. Após a conexão e os testes de estanqueidade, o conjunto recebia proteção e cobertura.

Desafio sísmico e geotécnico

Istambul está em região sujeita a terremotos. Por isso, projeto estrutural, juntas e fundações tiveram de considerar movimentos do terreno e possibilidade de liquefação. Investigações geotécnicas, modelagem e soluções de melhoria do solo não foram etapas acessórias: elas orientaram o comportamento esperado da estrutura durante eventos extremos.

Integração com o sistema ferroviário

O túnel imerso é apenas parte de um corredor com aproximadamente 76,3 quilômetros. Cerca de 13,6 quilômetros correspondem ao trecho subterrâneo urbano. Essa escala mostra que uma grande obra depende de interfaces: portais, túneis, estações, sinalização, energia e operação precisam funcionar como um sistema único.

Lições para a engenharia

O Marmaray demonstra o valor de decompor a execução em fases verificáveis: fabricar, transportar, preparar o leito, posicionar, conectar, testar e proteger. Também evidencia a necessidade de redundância em levantamentos, monitoramento contínuo e planos de contingência. Em obras com pouca margem de correção, qualidade e logística caminham juntas.

Fontes: Direção-Geral de Investimentos em Infraestrutura da Turquia; ficha técnica do projeto Marmaray.

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By Renata Dias

Renata Dias Sangali é Gerente Comercial do Grupo HCT, com atuação na área de educação e desenvolvimento profissional. Acompanha de perto as necessidades de profissionais e empresas, contribuindo para iniciativas voltadas à qualificação e ao aperfeiçoamento profissional.

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