Ilustração conceitual em corte de um túnel imerso sob o canal de Santos–Guarujá, com navio na superfície e módulos de concreto protegidos no leito.

Como construir uma passagem sob um canal portuário sem interromper a navegação? O projeto do Túnel Santos–Guarujá apresenta uma solução conhecida internacionalmente como túnel imerso: os elementos são fabricados fora do canal, transportados por flutuação e instalados em uma trincheira preparada no leito.

Vista do terminal de contêineres do Porto de Santos em 1999
Porto de Santos em 1999. Foto: Claus Bunks, CC BY 3.0.

O que é um túnel imerso?

Ao contrário de um túnel escavado, seus módulos de concreto são construídos em uma doca seca. Depois, a doca é inundada e os elementos passam a flutuar. Rebocadores conduzem cada peça até a posição de instalação.

No projeto Santos–Guarujá, a solução prevê aproximadamente 1,5 km de extensão, com 870 metros submersos, seis módulos de concreto e uma travessia para veículos, pedestres e ciclistas. Esses dados descrevem o projeto divulgado pelos órgãos responsáveis; a ilustração desta matéria é conceitual e não está em escala.

Como os módulos chegam ao fundo?

  1. Preparação: escavação da trincheira e execução da base de apoio.
  2. Fabricação: moldagem dos elementos em doca seca, com fechamentos provisórios nas extremidades.
  3. Transporte: inundação controlada da doca e reboque por flutuação.
  4. Imersão: enchimento dos tanques ou compartimentos de lastro para obter flutuabilidade negativa e baixar o elemento lentamente.
  5. Posicionamento: guinchos, sensores e estruturas flutuantes controlam o alinhamento.
  6. Acoplagem: a pressão da água aproxima os elementos e comprime a junta de vedação.
  7. Assentamento e proteção: a base é preenchida e uma camada de pedras protege o túnel contra impactos e âncoras.
Navio navegando pelo canal do Porto de Santos em 2017
Navio no canal do Porto de Santos. Foto: VicTrindade, CC BY-SA 4.0.

Por que a água não entra?

A união entre elementos usa uma junta elastomérica de alta resistência. Em túneis imersos, sistemas como a junta Gina são comprimidos pela pressão hidrostática, contribuindo para a estanqueidade e acomodando pequenos movimentos causados por recalque, temperatura e outras ações. O detalhamento executivo do Santos–Guarujá deve ser acompanhado nos documentos oficiais da concessão.

Por que essa solução foi escolhida?

Uma ponte precisaria manter grande altura livre para a passagem de navios e enfrentaria restrições urbanas e aeroportuárias. Um túnel escavado poderia exigir profundidades maiores para alcançar camadas de solo adequadas. O túnel imerso trabalha na faixa do canal preparada para receber os módulos e mantém a navegação acima da estrutura.

O que torna o projeto brasileiro desafiador?

Além da precisão geométrica, a obra precisa coordenar dragagem, concreto, rebocadores, janelas de maré, operação portuária, segurança, impermeabilização e controle ambiental. Um erro de posicionamento de um módulo pode comprometer as etapas seguintes, por isso a imersão é planejada como uma sequência de decisões e verificações.

Em resumo: o túnel não é “escavado dentro da água”. Ele é construído em partes, flutua até o local, afunda de forma controlada, é unido por juntas estanques e recebe uma proteção no leito. É essa combinação de concreto, hidrodinâmica, geotecnia e controle de precisão que transforma a ideia em uma ligação seca.

Fontes e créditos

Autoria: Renata Dias — Conexão Exata.

By Renata Dias

Renata Dias Sangali é Gerente Comercial do Grupo HCT, com atuação na área de educação e desenvolvimento profissional. Acompanha de perto as necessidades de profissionais e empresas, contribuindo para iniciativas voltadas à qualificação e ao aperfeiçoamento profissional.

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